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sábado, 17 de setembro de 2011

Uma Esperança de Paz

“Uma Esperança de Paz” não é um romance, pelo menos, não um romance como nós o conhecemos, não há beijos apaixonados, nem uma versão oriental de Romeu e Julieta, nada disso, trata-se de uma amizade extremamente forte, tão forte que foi capaz de resistir ao tempo e as guerras entre as nações de Israel e a Palestina, o livro conta duas histórias simultaneamente, a de Bashir, um garoto Árabe que viveu no período em que os árabes eram expulsos de suas casas, as quais se transformavam em lar para os Israelitas recém refugiadas da 2° Guerra Mundial, e Dália, uma jovem Israelita que viveu a experiência de ser uma estranha em sua própria terra. A vida desses dois jovens se cruza no exato momento em que Bashir junto à dois amigos resolvem fazer uma viagem para visitar o lugar no qual um dia eles moraram, mesmo com o medo de serem pegos pela segurança de Israel e serem classificados como terroristas, os jovens se aventuram e vão até as três casas que foram pertencentes as suas respectivas famílias, o primeiro dos jovens não é recebido Bem pelos novos donos, e batem com a porta em seu rosto, o segundo descobre que sua antiga casa virou uma escola, já Bashir é recebido gentilmente por Dália, ao qual lhes convida para entrar, esse simples gesto desencadeia um exemplo de tolerância e de diálogo que dura 40 anos, uma grande amizade, a pouca esperança de paz entre as duas nações.

Este livro marca uma fase muito importante na minha vida, quis coloca-lo aqui como sendo o primeiro na minha série de análises sobre literatura, pois, ele traça um período de crescimento com relação aquilo que eu lia e o que estava começando a ler, sempre li livros de autores renomados, Voltaire, Maquiavel, Machado de Assis, Guimarães Rosa e etc. porem acabava lendo os mais por serem famosos e achar que eram importantes para minha formação, ainda não tinha a noção do quanto eram singulares e seu conteúdo das entrelinhas fantástico, mas, foi com “Uma Esperança de Paz” de Sandy Tolan, que comecei a ler livros de forma mais crítica, não mais uma corrida até o final, e sim, uma forma de refletir os problemas da sociedade global, sempre me perguntei, como chegar a um consenso quando dois povos querem a mesma coisa? Quando a satisfação de um é a insatisfação do outro, no caso da briga entre Israel e os Árabes não podemos desconsiderar uma série de fatores, para que lado pesa mais a gangorra? Quem tem os direitos? Passei a minha infância toda acreditando que os israelitas mereciam o lugar onde moravam, que era deles por direito santo, quando você cresce em uma religião cristã, aprende sempre a olhar para a nação Árabe como um povo mal criado, rebelde, que passa a vida lutando por uma causa perdida. É essa a desmitificação que o autor pretende neste livro, essa obra não trata de vilões e mocinhos, não acusa Israel de serem usurpadores de Terra e muito menos põe os árabes em condição de vilões.

O livro basei-se na amizade que surge entre os dois jovens, as diferenças sociais entre eles, os caminhos que cada um traçou para chegar até ali, mas, se engana quem pensa que a história é baseada na juventude de Dália e Bashir, aquilo é só uma prévia, o livro perpassa por vários momentos da vida deles, as guerras que ainda serão travadas, os movimentos de resistência que irão afastá-los fisicamente, as diferenças ideológicas, as necessidades partidárias, o autor vai mostrando como é inevitável nessa história se manter de um lado, não há como defender o consenso, são sempre duas famílias para um mesmo pedaço de terra, sempre duas histórias que jamais poderiam ocupar o mesmo espaço. Apesar de tantas dificuldades e vontades contrárias, Bashir e Dália se mantêm amigos, interessados um no outro, os dois casam, constituem famílias seguem suas vidas, mas, sempre lembram com carinho do outro, vivem na linha de fogo, sempre olhando com olhar terno para o terreno ao lado. O final dessa amizade gera um lindo fruto, uma esperança, um espaço de diálogo entre Árabes e Judeus, provando que apesar do caos, é possível um consenso.

Eu Matei Minha Mãe

O filme da crítica de hoje é indicado por mim, fiquei encantado quando assisti esse filme, o título é “Eu matei minha mãe” parece uma história forte, é sim! Só que não de assassinato, pelo menos não físico, o garoto é Humbert um rapaz incompreendido que se julga especial por possuir certos talentos e gostos peculiares, sua mãe Chantale é uma perua excêntrica nos gostos, mas que desnuda é uma mulher tradicional e comum, o autor e diretor do filme é Xavier Dolan, que também é o protagonista do longa (Humbert) ele escreveu essa história quando tinha apenas 16 anos e segundo ele é autobiográfica, fala de seu próprio drama na adolescência. Humbert e sua mãe não se entendem, eles brigam desde a hora do café da manhã passando por todas as etapas do dia na qual eles se encontram, o garoto incompreendido busca refugio na casa do amigo, que ao contrário dele, tem uma mãe liberal e bem resolvida, e nesse jogo de comparações que a raiva e o ódio por Chantale é exacerbado, para piorar o pai de Humbert, um empresário, praticamente desapareceu da vida do garoto, percebe-se no rapaz uma profunda carência, e uma necessidade da figura paterna, que ele não consegue encontrar na mãe. A situação piora mesmo quando o pai reaparece e junto com a mãe resolvem enviá-lo para um colégio interno, para frente a história vai ficando cada vez mais tensa, cominando em uma grande decisão.


A adolescência é sempre um período complicado na vida de uma pessoa, é nessa fase que os relacionamentos se tornam difíceis, principalmente entre pais e filhos, o adolescente sempre acha que os amigos o amam mais que a família, resultando em uma série de conflitos e atritos dentro de casa. O filme retrata isso muito bem, não fantasia, não exagera, mostra um garoto incompreendido, uma mãe despreparada e uma série de fatos contrários, você não sabe bem, de quem é a razão, há momentos em que um começa a briga, o outro quando está tudo bem assume as rédeas do conflito e assim vai até o final, nessa história Humbert é Homossexual, o que faria com que nós pensássemos que a relação dele com a mãe seria muito mais facilitada, o que não é verdade, o mais impressionante é que Chantale não se mostra preconceituosa depois que descobre a opção sexual do filho, mas, ainda assim os conflitos persistem, é como se eles não combinassem até nas coisas em comum entre eles. Um ponto que me interessou bastante, também foi à abordagem da figura paterna, parece a primeiro momento que o pai não é peça importante na vida do garoto, mas, ao contrário, quando ele recebe um telefonema do pai convidado ele para passear, vemos que o semblante do rapaz muda, fica satisfeito, não questiona a ausência de tanto tempo, isso nos leva a pensar que é jogada a figura paterna a responsabilidade dessa crise emocional do garoto, mas, o filme também rebate esse pensamento quando, a mãe é questionada pelo diretor da escola interna, que talvez o problema de Humbert seja a figura do Pai, o que a mãe em grande exaltação defende a dificuldade de se criar um filho e que as questões e os conflitos entre eles independem de alguém que só foi homem para fazer a criança e não a criou.

Xavier Dolan também me impressionou bastante como diretor, fiquei encantado com a posição das câmeras escolhidas para as imagens, tem uma cena em que eles estão conversando na mesa e ele está sempre filmando os dois em cantos opostos com um grande espaço mostrando o plano de fundo, isso intensifica ainda mais a ideia de distância entre os dois personagens e como eles estão em posições opostas na vida, mesmo estando tão próximos, na verdade estão longe mentalmente. Algumas montagens com imagens avulso são exageradas, como a da mãe vestida de Maria com lagrimas de sangue, poderia ser dispensável, fica cafona, agora outras cenas como a da quebra do espelho na lanchonete e a perseguição em que ele corre atrás da mãe pela floresta em um cenário Outonal é fantásticas, muito bonitas e bem feitas. Excelente filme, autoral, boa produção Canadense, e um diretor tão novo, mas cheio de personalidade, só pra não esquecer, muito bem feita a cena em que Hubert e o namorado tem relação sexual, a ideia de Jackson Pollock com toda sua abstração e seus desenhos sem forma e com muita beleza, traduzem bastante a relação dos dois. Fantastic!

Encantados S.A.


E se de repente a sua vizinha misteriosa na verdade for a rainha má de branca de neve? Ou seu professor estranho e peludo for o lobo que aterrorizou os três porquinhos, pois é nesse ritmo que a peça Encantados S.A. vai conduzindo uma trama cômica e envolvente em que os personagens não deixam de cumprir bem o clichê de suas personalidades, mas, também optam por características inofensivas, como se na verdade tudo não passasse de uma grande brincadeira.  Essa é uma peça teatral que aborda o mundo da fantasia de forma que Monteiro Lobato se identificaria, a história em certos pontos lembra o que o autor brasileiro realizou no sítio do Pica Pau Amarelo. Os destaques da peça estão focados em personagens bastante conhecidos do mundo real, as princesas e os príncipes, as bruxas e o lobo, e até o que eles chamam de restos, que seriam seres desprezados, pois não se encaixam em nenhuma das classificações principais, ai estão João e Maria, Chapeuzinho vermelho e até o Patinho feio.

Nóquio é um garoto que vive solitário com o pai Germano, ele sente falta da mãe que misteriosamente partiu e nunca voltou para visitar o filho, ao perceber a solidão do garoto, o pai lhe dá de presente um boneco, que aparentemente não pode ajudar o menino a preencher esse vazio que ele sente, mas, de repente por uma ajuda da fada azul o boneco ganha vida e Nóquio e seu novo amigo começam a investigar os acontecimentos estranhos que rodam sua vizinhança e até mesmo a escola, é dessa forma que os dois vão parar no mundo da fantasia, onde descobrem que os personagens dos contos de fadas existem, e não só isso! Eles montaram uma associação, e vivem no mundo real, disfarçados, tudo isso com o objetivo, de fazer com que os adultos desacreditem da existência real deles, para que, como justifica o líder, não invadam o mundo da fantasia e destruam o que há de bom por lá, é envolvido nessa trama de mistério, comédia e muita conspiração que Nóquio e seu boneco, vão desvendar segredos e aprender lições importantes, e até mesmo conhecer mais de si próprio.

O grupo de teatro universitário da UFPA é quem assina a produção deste espetáculo, que já não é mais nenhuma novidade na cidade. A peça já foi exibida inúmeras vezes, mas, continua fazendo a alegria do público, pois foi isso que aconteceu no dia em que fui ao teatro assisti-la, a casa estava lotada, e o público não se decepcionou, foram quase duas horas de espetáculo, regado a muitos risos, o trabalho dos artistas é sensacional, há inúmeros atores bons, que compõe personagens bem engraçados, o trabalho cenográfico é simples, destaque mesmo para os figurinos bem elaborados e que caracterizam bem cada um dos personagens na peça. Por ser um trabalho longo, as chances de errar também são maiores, a pesar do bom texto e do roteiro bem trabalhado, a peça perde folego pelo meio, deixando o espectador um pouco desconfortável, esperando já a hora do fim, o que claro não chega, o bom é que depois desse momento sem ar a peça volta a ganhar um clímax empolgante e tudo se encaixa novamente, a plateia relaxa e mais risadas surgem.

Para finalizar, muitos segredos são desvendados, uma reviravolta acontece e os clichês dos personagens novamente falam mais alto, mocinhos se dão bem, e vilões nem tanto... Os maiores destaques de atuação dessa peça, e vale aqui ressaltar é os dos personagens do Fado, uma espécie de fada masculina, o ator dá um show e é o responsável pelos grandes momentos da peça, a rainha má de Branca de Neve também é bem interpretada, e a surpresa é a bruxa verde que rouba a cena e termina como um dos melhores personagens de toda a trama, muito boa essa peça, não é a toa que já realizou muitas temporadas, e parece que não vai parar por ai, em breve eles voltam a se apresentar e a gente aqui do blog repassa para vocês, fiquem ligados. 

sábado, 13 de agosto de 2011

#RoteiroCultural Domingo Sem tédio.

Inauguramos hoje uma nova coluna neste blog, #RoteiroCultural um espaço com dicas do que você poderá fazer para preencher o seu domingo com atividades interessantes, e o melhor de tudo, em conta com seu bolso, nada de extravagâncias. o melhor de Belém de forma acessível e muuuuito proveitosa. Aproveite, comente e dê dicas daquilo que você também faz no Domingo para afastar desse monótono dia todo o tédio!

Segue minha opção para amanhã...


Amanhã as 16horas o Sesc  Boulevard apresenta o filme/documentário “Nós que aqui estamos por vós esperamos”. Este trabalho foi produzido em 1998 e conta com a direção de Marcelo Masagão.

O filme retrata a morte no século XIX, construído todo com imagens de arquivo e sem nenhuma fala ou narração, apenas música, imagem e frases que vão aparecendo na tela. Não há nenhum tipo de narrador, apenas a reunião de figuras e palavras que se encaixam nos fatos históricos reais e ficcionais. As imagens são documentos históricos que relatam a vida de pessoas anônimas em seu cotidiano e a partir dessas, o diretor dá nova existência, profissões, nomes e atividades aos seres retratados. Filmagens amadoras, reportagens, fotos antigas, clássicos do cinema (George Méliès, Chaplin, Buñuel) são usados como fundo de pano para esta nova etapa que leva o espectador para o mais sangrento e conturbado século da humanidade. (CinePlayers)

Centro Cultural Sesc Boulevard: Av. Boulevard Castilho França nº 522/523 (em frente a Estação das Docas).



No “OI Cine Estação” as 18h30min está em cartaz “Film Socialisme” do polêmico e talentoso diretor Jean Luc Godard. 

Em 1982, Wim Wenders juntava no seu Quarto 666 (Room 666) diretores de cinema diversos presentes no Festival de Cannes e os perguntava: “Qual é o futuro do cinema?”. O dispositivo era simples: uma câmera e um gravador que deveriam ser ligados pelo próprio entrevistado e, ao fundo, uma televisão sintonizada. Entre os entrevistados, está Jean-Luc Godard, seu cigarro e sua postura contextualizadora relativizando e invertendo as teorias apocalípticas propostas por Wenders nas relações entre o cinema e a televisão. (CinePlayers)

 Estação das Docas: Av. Boulevard Castilho França (em frente ao Sesc Boulevard)



Entrou em cartaz novamente no Teatro Cuíra as 21horas a peça "Sem dizer Adeus" com Zé Charone e Cláudio Barradas.

Baseado no livro "Eu e as Últimas 72 Horas de Magalhães Barata", de Dalila Ohana, "Sem Dizer Adeus" fala de ciúme, traição, hipocrisia, ambição e maldades que atormentaram a vida política de Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, que governou o Pará no início do Século XX, mais precisamente entre novembro de 1930 a abril de 1934. (Portal ORM)

Teatro Cuíra: 1º de maio, de canto com a Rua Riachuelo (próximo a praça da república).


Esse é meu roteiro para amanhã, com um pouco de pique e muita disposição para aproveitar, você vai se divertir, aprender e ter experiências muito boas, então, bom Domingo!

Danilo Gomes.



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Cacau Novais show "Toda Bossa"

Desde que comecei a acompanhar o talento das cantoras regionais, surgiu a vontade de escrever sobre as apresentações que tenho assistido dessas que são para mim as verdadeiras musas do Pará. Tive muito receio ao escrever, pois não sou especialista na área musical, mas, tenho estado presente em muitas dessas apresentações, e tenho me agradado de toda a sonoridade e talento que essas cantoras têm demonstrado. Talento que não fica aquém de nenhum artista que vemos pela televisão ou em apresentações itinerantes de shows em Belém de cantores de fora da nossa terra. Por isso ao escrever esse texto, peço licença aos especialistas, e gostaria que esses escritos fossem lidos não de forma teórica, mas, sentimental, tem aqui a minha opinião, aquilo que vivi ao ouvir esta cantora, ao sentir sua interpretação e ao ser conduzido a outra atmosfera. 


Fotos de Mel Miranda


Fui recentemente a um show da cantora paraense Cacau Novais e fiquei encantado com o trabalho desenvolvido por ela e sua banda, ao que tudo indica trata-se de uma estrela, cunhada de forma rústica e habilidosa, Cacau demonstra muita maturidade no palco, apresenta e representa composições consagradas de Tom Jobim em parceria com outros grandes nomes da MPB. Seu estilo, carro chefe de seu show “Toda Bossa” é mesmo a bossa nova, marca da cantora, algumas músicas cantadas parecem até terem sido escritas para sua voz, o grande destaque é a música de encerramento “Reza” (Edu Lobo e Ruy Guerra), já tinha ouvido essa música na voz de Juliana Sinimbú no show “Nua Ideia” e a interpretação das duas é muito boa, Juliana tem uma voz mais meloso, seguiu em uma interpretação, mas romântica, já Cacau opta pela dramatização, pelo “suor e sangue” pela agonia do compositor.  

Outros grandes sucessos que embalam o público são as canções “O morro não tem vez” (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) e “Samba de uma nota só” (Newton Mendonça) essa última mostra ao público o porquê de Cacau está no palco, toda técnica vocal, todo talento e domínio da cantora é exigido nessa canção, uma música difícil e deliciosa quando bem executada, e foi exatamente isso que Cacau Novais fez, a música é um presente aos ouvidos, os arranjos são maravilhosos, deve-se destacar a banda, ou melhor, o Trio que serve de base para a cantora, nos teclados o maestro Robenare Marques, no contra baixo Jhonatan Torquato e na Bateria o figuraça Sagica. Toda sonoridade do show é um espetáculo a parte, os arranjos, sejam eles ensaiados ou até mesmo improvisados, como destaca Cacau durante o show, são maravilhosos, deliciosos de se ouvir, a plateia fica delirante, à medida que o show vai se desenvolvendo Cacau vai adquirindo mais autoconfiança, vai relaxando, ficando tranquila e se deixando levar, também acaba conduzindo melhor seu público, a resposta é clara, no final TODOS pedem bis e lá vai Cacau Novais novamente cantar a saideira, para que todos possam ter mais um gostinho daquilo que o Pará tem de bom, lindas vozes, cantoras maravilhosas, Cacau Novais é uma delas!


Quem é Cacau Novais?

De origem Maranhense, mas, já residente a bastante tempo no Pará, ela é Intérprete, arte-educadora e atriz. Estes são alguns dos trabalhos realizados por Cacau Novais, uma artista paraense que iniciou sua carreira cantando música de igreja. Hoje, Cacau apresenta um repertório eclético, com canções de Tom Jobim, Vinícius de Morais e de outros artistas renomados.

Cacau Novais aperfeiçoou-se estudando canto lírico e participando de corais como o Madrigal da UEPA e o Coro Carlos Gomes