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sábado, 24 de setembro de 2011

Soul Kitchen

Que tal um filme para relaxar, cheio de clichês e humor acido? Soul Kitchen contempla todos esses desejos citados agora a pouco, o filme é legalzinho, não tem muita coisa de interessante, além do que a história é completamente batida, como costumo dizer, é o filme que estará na sessão da tarde daqui a cinco anos, quem curte filmes com Ed Murphy e outros desse gênero vai adorar assistir este, dois amigos, um malucão irreverente com um restaurante caindo aos pedaços, e outro que no início mais parece um poderoso gangster, que passa o dia na condicional voltando a noite para dormir na cadeia, essas duas figuras são o ponto central da história, são amigos, na verdade se consideram irmãos, ou são mesmo, isso não fica muito claro na história, o fato é que os dois não tem nada a ver um com o outro, mas, por algum mistério ou pegadinha do destino, acreditam ter uma ligação, um compromisso de proteção um com o outro, mesmo sabendo que isso é a maior roubada. Um cozinheiro é demitido do restaurante de alta gastronomia, por ser incompreendido e se revoltar, o curioso é que o único lugar em que há emprego para esse cozinheiro tão renomado será no restaurante de beira de estrada Soul Kitchen, um lugar undeground em decadência, composto por um público de pessoas obesas e medíocres que adoram comer as frituras e conservas que o dono sabe preparar.


O romance do filme fica por conta de dois casais, a modelo e o dono do restaurante que não se veem pessoalmente, pois ela está trabalhando na China, a única forma que eles tem para se comunicarem é o Skype, o que não dá muito certo por causa da falta de jeito que o cara leva para usar essa tecnologia, logo de início é nítida a vontade da garota de pular fora daquilo que parece uma grande barca furada. Enquanto o primeiro casal está em decadência, vemos que o projeto de gangster se apaixona pela garçonete do restaurante, uma mulher completamente independente, misteriosa e decidida, o cara é tudo que ela não deseja na vida, mas, como estamos falando de ficção, as coincidências no amor, fazem com que eles se aproximem, a cena em que eles percebem que estão apaixonados é uma das mais ridículas que já vi na minha vida, não consigo até agora entender qual era a intenção do diretor naquele momento, era chacota? Acho que sim, pois o filme todo é regular, chegando até em alguns pontos ter um bom humor que justifica o tempo dedicado a ele, agora se você julgar o filme a partir da cena que estou falando, com certeza a frase certa será a mesma que o cara na cadeira atrás de mim no cinema disse “Etah Fuleragem isso!” realmente, a maior fuleragem, cena completamente tosca.

A história do filme então é sobre um cara que quer vender seu restaurante, mesmo o lugar surpreendentemente está fazendo um sucesso com as comidas refinadas do novo cozinheiro, tudo para ir morar com a namorada em Shangai, já que ele não tem para quem de confiança vender, o que ele faz? Deixa tudo na responsabilidade do amigo charlatão, que demora menos de uma semana para perder tudo em um jogo de azar, o cara nem viaja, porque a namorada voltou para o enterro da avó, e outra, já nem quer mais saber dele, tá com um chinês, depois desse pé na bunda ele descobre que perdeu tudo, resta agora começar o clímax do filme, a grande aventura para tirar o restaurante da mão de um pilantra que quer apenas demolir o lugar e vender o terreno para uma construtora, entre trapalhadas e confusões, não é que os caras conseguem? O malucão recupera suas posses, sem não antes da uma passadinha na cadeia, depois de ser solto, começa a mudar de vida, o amigo não teve tanta sorte, acho que isso é a parte interessante, no final ele não deixa a prisão milagrosamente, o romance não continua com a garçonete. O desenrolar de com quem o dono do restaurante vai ficar é também uma grande surpresa.

sábado, 17 de setembro de 2011

Eu Matei Minha Mãe

O filme da crítica de hoje é indicado por mim, fiquei encantado quando assisti esse filme, o título é “Eu matei minha mãe” parece uma história forte, é sim! Só que não de assassinato, pelo menos não físico, o garoto é Humbert um rapaz incompreendido que se julga especial por possuir certos talentos e gostos peculiares, sua mãe Chantale é uma perua excêntrica nos gostos, mas que desnuda é uma mulher tradicional e comum, o autor e diretor do filme é Xavier Dolan, que também é o protagonista do longa (Humbert) ele escreveu essa história quando tinha apenas 16 anos e segundo ele é autobiográfica, fala de seu próprio drama na adolescência. Humbert e sua mãe não se entendem, eles brigam desde a hora do café da manhã passando por todas as etapas do dia na qual eles se encontram, o garoto incompreendido busca refugio na casa do amigo, que ao contrário dele, tem uma mãe liberal e bem resolvida, e nesse jogo de comparações que a raiva e o ódio por Chantale é exacerbado, para piorar o pai de Humbert, um empresário, praticamente desapareceu da vida do garoto, percebe-se no rapaz uma profunda carência, e uma necessidade da figura paterna, que ele não consegue encontrar na mãe. A situação piora mesmo quando o pai reaparece e junto com a mãe resolvem enviá-lo para um colégio interno, para frente a história vai ficando cada vez mais tensa, cominando em uma grande decisão.


A adolescência é sempre um período complicado na vida de uma pessoa, é nessa fase que os relacionamentos se tornam difíceis, principalmente entre pais e filhos, o adolescente sempre acha que os amigos o amam mais que a família, resultando em uma série de conflitos e atritos dentro de casa. O filme retrata isso muito bem, não fantasia, não exagera, mostra um garoto incompreendido, uma mãe despreparada e uma série de fatos contrários, você não sabe bem, de quem é a razão, há momentos em que um começa a briga, o outro quando está tudo bem assume as rédeas do conflito e assim vai até o final, nessa história Humbert é Homossexual, o que faria com que nós pensássemos que a relação dele com a mãe seria muito mais facilitada, o que não é verdade, o mais impressionante é que Chantale não se mostra preconceituosa depois que descobre a opção sexual do filho, mas, ainda assim os conflitos persistem, é como se eles não combinassem até nas coisas em comum entre eles. Um ponto que me interessou bastante, também foi à abordagem da figura paterna, parece a primeiro momento que o pai não é peça importante na vida do garoto, mas, ao contrário, quando ele recebe um telefonema do pai convidado ele para passear, vemos que o semblante do rapaz muda, fica satisfeito, não questiona a ausência de tanto tempo, isso nos leva a pensar que é jogada a figura paterna a responsabilidade dessa crise emocional do garoto, mas, o filme também rebate esse pensamento quando, a mãe é questionada pelo diretor da escola interna, que talvez o problema de Humbert seja a figura do Pai, o que a mãe em grande exaltação defende a dificuldade de se criar um filho e que as questões e os conflitos entre eles independem de alguém que só foi homem para fazer a criança e não a criou.

Xavier Dolan também me impressionou bastante como diretor, fiquei encantado com a posição das câmeras escolhidas para as imagens, tem uma cena em que eles estão conversando na mesa e ele está sempre filmando os dois em cantos opostos com um grande espaço mostrando o plano de fundo, isso intensifica ainda mais a ideia de distância entre os dois personagens e como eles estão em posições opostas na vida, mesmo estando tão próximos, na verdade estão longe mentalmente. Algumas montagens com imagens avulso são exageradas, como a da mãe vestida de Maria com lagrimas de sangue, poderia ser dispensável, fica cafona, agora outras cenas como a da quebra do espelho na lanchonete e a perseguição em que ele corre atrás da mãe pela floresta em um cenário Outonal é fantásticas, muito bonitas e bem feitas. Excelente filme, autoral, boa produção Canadense, e um diretor tão novo, mas cheio de personalidade, só pra não esquecer, muito bem feita a cena em que Hubert e o namorado tem relação sexual, a ideia de Jackson Pollock com toda sua abstração e seus desenhos sem forma e com muita beleza, traduzem bastante a relação dos dois. Fantastic!

domingo, 31 de julho de 2011

ASSALTO AO BANCO CENTRAL

Brasilidade é o que pode ser encontrado de cara no primeiro filme dirigido por Marcos Paulo “Assalto ao Banco Central”. A trama já se inicia com uma cena de sexo selvagem, entre dois dos bandidos que irão planejar o grande feito, Barão (Milhem Cortaz), e sua companheira Carla (Hermila Guedes). Outros personagens vão aparecendo ao longo do recrutamento, o primeiro deles é Mineiro (Eriberto Leão) e a gangue conta ainda com a participação de Heitor Martinez, Tonico Pereira, Fábio Lago, Gero Camilo entre outros. A história é inspirada no surpreendente assalto ocorrido no Banco Central do Ceará, em agosto de 2005. Mesclando histórias de pura ficção e outras que envolvem os fatos divulgados na imprensa, o filme não apresenta nada de novo em seu conteúdo, pode se dizer que são os fatos transformados em história e posteriormente simbolizados em imagens resta então, saber se o trabalho foi bem feito.

Para os amantes da boa fotografia, o filme não é o que chamamos de “bom trabalho”, nada é muito inspirador visualmente, acaba por se parecer com um seriado de tv, desses que a rede globo tem colocado no ar ultimamente. Interpretação mediana é tudo que se encontra, faltou muito da experiência de grandes diretores, algumas cenas ficaram bastante teatralizadas, com piadas toscas, cortes desnecessários, ângulos incoerentes com a ação, e a ação? Em gente! O filme é chato em alguns momentos, o ritmo é lento e cansativo, as investigações policiais resumidas. E o foco, não se encontra em lugar nenhum, um grande resumão de tudo que acabou não emocionando em nada, no fundo você sai do cinema sem saber de que lado você está, quem realmente tem razão? A policia que é mostrada em suas duas facetas, a boa, justa e honesta, a outra, corrupta, criminosa e assassina ou os bandidos, que nas palavras de um dos personagens, justifica o feito dizendo “Dinheiro honesto, de forma desonesta” e a plateia se enche de risos.


Eriberto Leão sempre confirmando a mítica de “Rostinho bonito” e só! O fato é que o filme é globalesco, cheio de atores que a gente vai ver amanhã na novela, e que sabemos, não tem talento nenhum, isso deixa a estória ainda mais capenga do ponto de vista do que pode ser crível dentro dos acontecimentos, não é um filme para problematizar, é entretenimento, é piada, é besteirol, sem se aproveitar grandes coisas, sem saber até onde houve pesquisa, nada de inovador, sua estreia, foi mais uma entre às milhares que já aconteceram, e ainda vão acontecer. É difícil classificar um filme entre bom ou ruim, pois isso depende da motivação do espectador, se você procura cinema como expressão artística, cinema autoral, aqui você pode classificar esse filme como dispensável, mas, se tudo que você quer é levar a namorada, ou marcar com os amigos alguns minutos de hibernação mental, o filme é uma boa pedida, não se pode dizer que é um filme proibitivo, é elegível, desde que se saiba com que proposito ele será assistido.  

Direção: Marcos Paulo
Elenco:  Lima Duarte, Giulia Gam e Eriberto Leão
Duração: 111 min
Origem: Nacional (Brasil)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Meia Noite em Paris (Midnight in Paris)

Já virou modinha falar de Woody Allen, e pior ainda falar que Woody Allen é sinônimo de Clichê nos dias atuais, sempre as mesmas histórias, os mesmos dramas, o mesmo enredo batido e envelhecido, sustentado por uma áurea mítica de um passado glorioso com pérolas cinematográficas inesquecíveis e que marcaram a história e o modo de se fazer cinema, fui contagiado por esse sentimento, e depois de ter visto o entediante “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos” não esperava nada mais do que uma história que se entrelaça em várias histórias, de um monte de personagens confusos e medíocres que vivem para um observador aquilo que podemos expressar como “pobre garota rica, o que ela sabe sobre o sofrimento?” (Titanic, 1997) é assim que pensava eu que seria o novo trabalho de Woody “Meia noite em Paris” e para minha estonteante surpresa não o foi.

Não é segredo nenhum que para Woody Allen Paris tem um ar mágico, misterioso, a cidade respira e transpira o que há de mais sedutor em termos de cultura e beleza artística, é como se o mundo inteiro fosse à periferia e Paris o centro, onde se localizam e já viveram os grandes pensadores e artistas, e até aqueles que ali não moram sentem uma necessidade quase espiritual de estabelecer morada na cidade para que seu senso artístico aflore de uma forma sobrenatural. Unindo a contemporaneidade de uma Paris ainda tão charmosa quanto em outras épocas e a viagem de um personagem ávido por descobrir em outros tempos a razão de uma vida inspiradora é que o Diretor brinca com a ideia de “Anos dourados” a mitificação que cada um faz do passado, as glórias, as belezas, as grandes revoluções, tudo isso acaba por se mostrar insatisfatório para aquele que vive o seu tempo, e tenta buscar no passado aquilo que realmente preencheria seu ser.

Um filme como esse deve ser assistido com uma visão de mundo e um conhecimento artístico relevante, as piadas podem ser classificadas como “internas” de um grupo de Nerds e não massificadas, alguns personagens muito importantes para a trama devem ser conhecidos anteriormente ao filme, se não, acredito que sua experiência vai ser de “Perdido no ninho” recomendações: Jogue no Google e saiba um pouco sobre Buñuel, Salvador Dalí, F. Scott Fiztgerald, Ernest Hemingway e Pablo Picasso. Ironizar a visão mundial sobre Paris, aquela que é recanto de obras antigas e histórias envelhecidas é uma tentativa do diretor de mostrar que a arte pela arte não leva a lugar nenhum e que ela só é completa a partir do momento que o artista faz dela uma ferramenta para se entender a vida e dessa formar encontra o caminho a ser seguido para se viver da melhor forma. O personagem de Owen Willson é um artista que busca um sentido, uma razão maior para sua arte, algo que transcenda a ideia medíocre de se fazer entretenimento, ou de enclausurar sua obra a elitismos ou museus e ambiente conservadores, para ele a arte deve ser sentida, vivida, apreciada nas ruas, praças, ser popular não se tornando vulgar.    


Para um diretor que faz um filme por ano as probabilidades de acerto e erro também são maiores, Woody vinha insistindo no erro a algum tempo, mas dessa vez, encheu a mão, esse filme é nobre, não é clichê, é interessante, diferenciado, traz um roteiro inteligente e divertido sem ser babaca, é surreal e realista, antagônico em gêneros, mas, coerente na sua proposta, recomendado, corra e assista, não deve ser depreciado, pode sim ser criticado, afinal, não é uma obra que se encerra em sí, mas, pode sim ser considerado um bom trabalho e mais um suspiro daquele que como sua obra quis mostrar está em movimento, e não deve ser colocado ainda no museu das artes mortas.

FICHA TÉCNICA

Direção: Woody Allen
Elenco: Owen Willson, Marion Cotillard e Rachel McAdams
Duração: 1 hora e 40 minutos

domingo, 24 de abril de 2011

Bruna Surfistinha (O doce veneno do escorpião)


Aos 17 anos, Raquel se sente desajustada na escola, onde é ridicularizada pelos colegas, e em casa, onde vive em conflito com a família. Um dia, a menina de classe média toma uma decisão surpreendente: virar garota de programa. Ela foge de casa e vai viver num privê, onde as garotas moram e recebem clientes. Adota o nome de Bruna e fica amiga daquelas mulheres, como a intempestiva Janine. Ali conhece Huldson, que vai se empenhar em tirá-la da prostituição. De ingênua e desajeitada, Bruna se torna a garota de programa mais disputada do lugar e a que mais ganha dinheiro. Conhece a sofisticada Carol, que lhe mostra a prostituição de alto luxo, e aluga um flat para receber seus próprios clientes. A fama nacional vem quando, com o nome de Bruna Surfistinha, passa a contar num blog suas aventuras sexuais e afetivas como garota de programa. Mas Bruna vê seu dinheiro e sua saúde serem consumidos pela cocaína e, quando chega ao fundo do poço, é hora de dar uma nova guinada em sua vida.

Uma das mais esperadas estreias do cinema nacional do último ano é o filme inspirado na vida da ex prostituta Raquel Pacheco cujo nome de guerra é Bruna surfistinha “O doce veneno do escorpião” é uma adaptação do Best-Seller que leva o mesmo nome, para viver o papel de Bruna na telona foi escalada a atriz Deborah Secco, uma excelente escolha na minha opinião, primeiro porque gosto do modo como Deborah interpreta e segundo por ela ser bastante dedicada em seu laboratório para composição dos personagens, com Bruna surfistinha não foi diferente. Para quem leu o livro, como é de praxe, não vão sobrar críticas às omissões feitas no filme, a produção é bastante retalhada, deixa de fora muitos elementos que continham no livro, por exemplo, a parte da vida de Raquel que ela se aventura na indústria pornô não é contada no filme, a ênfase é pouca também naquilo que acredito eu era a grande expectativa das pessoas, o diferencial de Bruna na cama e os muitos casos curiosos que o livro narra, e lamento informar mas não aparecem no enredo do filme.


Como tudo que é muito esperado é também muito frustrante, o filme é bom, bem feito, bem narrado e bem interpretado, Drica Moraes nos brinda com sua volta triunfante, mas, todo mundo esperava bem mais que isso, as páginas coladas eram a grande expectativa do público e a narrativa delas é quase nula, outro ponto que não ficou legal é a decadência da personagem, ela começa a usar cocaína e a partir dai o filme fica caricatural, sem muito realismo, exageros a parte, é uma boa produção nacional, não respondeu muito bem em bilheteria, se esperava bem mais que isso, mas, é uma das melhores indicações do blog esses tempos. 

FICHA TÉCNICA

Direção: Marcus Baldini
Elenco: Deborah Secco, Cássio Gabus Mendes e Drica Moraes.
Duração: 2 horas e 11 minutos

sábado, 23 de abril de 2011

A GAROTA DA CAPA VERMELHA (RED RIDING HOOD)

Há muitos anos, o vilarejo de Daggerhorn mantinha-se em paz. Com a morte da irmã mais velha de Valerie (Amanda Seyfried), o local é tomado por pânico. A coisa fica pior depois que o famoso caçador de lobisomens, o Padre Solomon (Oldman), chega ao local, alertando a todos que a fera ganha forma humana de dia, podendo ser qualquer um deles. O “drama” começa daí e nada é o que parece ser nesta narrativa que recicla a boa e velha história de Chapeuzinho vermelho, universalmente conhecida e contada através da cultura popular. Sua irmã, que havia saído para se encontrar com o joven Henry, é atacada pelo lobo. De casamento marcado com o amor da vida da sua irmã, Valerie precisa lutar para conseguir se manter com Peter, o seu verdadeiro amor. Falar mais estragaria as surpresas que a narrativa nos apresenta. (CinePop)

Este novo filme traz a tona mais um clichê, que como a própria história do filme, foi adaptado para servir de exemplo, é a “arte imitando a arte”. Que tal pararmos de pensar em histórias originais e problemas mais profundos da sociedade a serem abordados na telona com o intuito de fazer a plateia delirar com o que está vendo? Bem acho que foi isso que a diretora dessa obra tão pluralista Catherine Hardwicke sugeriu a toda sua equipe e o resultado disso é este filme que lhes trago hoje, o mesmo triangulo amoroso, as mesmas sequencias sem coerências e enchedoras de linguiça e o pior para o mesmo público de outros filmes sombrios e juvenis que tanto faz sucesso e encantam essa geração acéfala, oh que coincidência! Não é que a diretora é a mesma de Crepúsculo? Tá explicado agora... rsrs.


Amanda Seyfried é um rosto difícil de gravar, mas, que se você for buscar sua filmografia, vai perceber que a garota não é tão anônima quanto parece à primeira vista, é que realmente sua interpretação não causa impacto algum, é fria! Confia demais em seus grandes olhos arregalados e de cores cintilantes. Os mocinhos que compõem o triangulo, também não causam nada, nem frisson nas pré-adolescentes que irão assistir o filme, tá ai uma vitória da saga de Stephanie Meyer... entretenimento para quem não tem nada para fazer ou simplesmente queira revisitar o conto de fadas que sua mãe contava, mas, aviso! Aqui a história é confusa e deturpada. 


FICHA TÉCNICA

Direção: Catherine Hardwicke
Elenco: Amanda Seyfried, Max Irons e Gary Oldman 
Duração: 1 hora e 35 minutos

terça-feira, 12 de abril de 2011

RIO (RIO)

O protagonista é Blu (voz original de Jesse Eisenberg), uma ararinha azul macho capturada no Rio de Janeiro que vai direto do seu ninho para o frio de Minnesota, onde é adotada por Linda (Leslie Mann). A vida dos dois é autocentrada, com um tomando conta do outro para tudo, sem deixar espaços para a moça se envolver com outro ser humano, nem para a pequena ave sequer aprender a voar. Até a chegada de Tulio (Rodrigo Santoro), um estudioso amante das aves que viajou até os Estados Unidos atrás da última ararinha azul macho que se tem conhecimento. Sua missão é levar a ave de volta para o Brasil, para se acasalar com a fêmea Jade (Anne Hathaway) e assim perpetuar a espécie. O plano parece simples, mas uma história de aves raras (e caras) em um país corrupto como o nosso não pode acabar assim fácil, e em pouco tempo as duas últimas ararinhas azuis estão presas em uma gaiola numa favela, esperando o momento de serem contrabandeadas. (Omelete).

O filme expõe todas as caricaturas que possam existir do Rio de Janeiro, o trabalho gráfico é impecável, os traços dos personagens são muito bem feitos e não deixam a desejar a nenhum outro filme, mas quando se trata de conteúdo, a história do filme é extremamente superficial, leviana, sem traços de realidade, os personagens são falsos, não existem de fato, o filme é total entretenimento, não espere chegar para assistir uma abordagem politica e uma reflexão critica sobre o tráfico de animais silvestres no Brasil, na verdade o filme é muito mais, uma comédia romântica animada e com bichos, a exacerbação dos estereótipos é muito forte, esperava-se que, sendo o diretor Carlos Saldanha brasileiro, no mínimo o filme traria um retrato justo da nossa terra, não falo aqui de banalização da violência e da pobreza, mas sim de um povo mais real, verdadeiramente brasileiro, a impressão que é tomada por um expectador de fora do contexto, é de que no Brasil as pessoas saem na rua vestidas de Carmem Miranda e todas as crianças são cópias fieis do Pelé na infância. Ah e sem falar nos erros canalhas de fauna brasileira, flamingos? Não há um desses há quilômetros de distância!


O filme pode e deve ser visto, a final nosso patriotismo fala mais alto, e a torcida para que ele seja um sucesso é válida, agora não podemos esquecer que é uma animação caricatural, não há grandes relações com o nosso país e nem mesmo com o estado do Rio de Janeiro, que mesmo bem desenhado no filme, deixa a desejar em seu conteúdo, que sabemos nós, vai muito além de futebol, carnaval e bunda de mulata! Assista a este filme, curta o trabalho e não esqueça de comentar.

FICHA TÉCNICA
Direção: Carlos Saldanha
Elenco: Jesse Eisenberg, Anne Hathaway e Rodrigo Santoro
Duração: 2 horas e 36 minutos 

domingo, 10 de abril de 2011

O TURISTA (THE TOURIST)

Os passos de Elise Clifton-Ward (Angelina Jolie) são acompanhados de perto pela equipe chefiada pelo inspetor John Acheson (Paul Bettany). O motivo é que ela viveu por um ano com Alexander Pearce, procurado pela polícia devido a sonegação de impostos em torno de 700 milhões de libras. Ninguém sabe como é o rosto de Pearce, nem mesmo Elise, já que ele passou por várias operações plásticas para escapar de seus perseguidores. Ele enfim entra em contato com Elise ao lhe enviar um bilhete, onde pede que vá encontrá-lo em Veneza e, no caminho, procure alguém com tipo físico parecido com o seu, para enganar a polícia. Elise segue as ordens à risca e, no trem a caminho da cidade italiana, se aproxima do professor de matemática Frank Tupelo (Johnny Depp), que viaja sozinho. Ele fica atraído por sua beleza e aceita a oferta de ir até o hotel dela, assim que chegam a Veneza. Só que logo Frank se torna alvo de Reginald Shaw (Steven Berkoff), um poderoso gângster que teve mais de US$ 2,5 bilhões roubados por Pearce. (AdoroCinema)
A tentativa de se fazer um bom filme apostando em elementos secundários se tornou tão real em “O turista” que chega até ser palpável, isso porque os “close up” são tão intensos e repetitivos que tudo que você consegue ver neste filme são as expressões de Angelina Jolie e Jhonny Depp sendo maximizadas a todo o momento pela câmera, e a briga de egos continua por todo o longa, de um lado o charme sensual da musa de Tomb Raider e do outro a sensualidade com pinta de malandro do Pirata do Caribe. A trilha sonora também não se aproveita e não se adequa ao ritmo da trama o que faz a história parecer ainda mais fraca, se formos falar do roteiro do filme, não há muito o que falar, pouca criatividade, muita confusão, sendo que não se sabe bem o que se queria criar, a impressão que tenho é que ouve uma diferença de intenções entre roteiristas e diretor, de um lado queria se criar um filme cômico e que não se levasse muito a sério, do outro, um filme com uma trama marcante e muita expressividade, final das contas, nem uma coisa e nem outra.

Gosto dos atores escalados para esse filme, mas, não gosto deles nesse filme, Jolie está totalmente desconfortável se passando de dama, chega a ser forçada, buscando atingir o charme natural de estrelas do cinema da década de 50 e 60, não consegue! Fica vulgar, só que agora com roupas clássicas. Depp está totalmente apagado, não há muito que fazer com esse personagem, qualquer ator em inicio de carreira conseguiria fazer o papel que ele faz, o filme desperdiça seu charme e não aproveita o potencial dele, e ainda mais, Depp erra nas dosagens do personagem, em algumas oras bobam e em outras, esperto demais, faltou direção. O que poderia ter sido um grande encontro entre dois astros do cinema acabou se tornando um grande pastelão, com interpretações forçadas, pouca expressividade cultural, exagero na utilização de cenários, figurino e caricaturas, sem falar que a história é digna de não ser lembrada, nem mesmo depois que se acabou de assistir o filme, como aconteceu comigo (é por isso que uso a sinopse de outro site, explicado!).

FICHA TÉCNICA
Direção: Florian Henckel von Donnersmarck
Elenco: Angelina Jolie, Jhonny Depp e Paul Bettany
Duração: 1 hora e 35 minutos

segunda-feira, 7 de março de 2011

ENROLADOS (TANGLED)

Enrolados é o que podemos chamar de paráfrase do conto de fadas Rapunzel, o novo formato dos estúdios Walt Disney que tem remixado algumas de suas obras clássicas desde o bem sucedido “deu a louca na chapeuzinho” até o fracassado “deu a louca na cinderela”. Este novo filme conta de forma cômica e nada romântica a história da princesa que foi aprisionada em uma torre por uma bruxa que queria utilizar os poderes de seus cabelos dourados em benefício próprio, no lugar do príncipe, o salvador da princesa é um ladrão, atrapalhado e trapaceiro que por acidente descobre a torre onde Rapunzel vive, e para fugir dos guardas tenta se esconder por lá, a garota assustada o faz refém, e logo depois, arquiteta um plano, para sair da torre e conhecer o mundo a sua volta ela será capaz de encarar uma grande aventura. 

Histórias de princesa e castelos até hoje conseguem encantar certa fatia do público, mas uma grande parcela dele não tem mostrado grande interesse pelos contos de fadas, nossas crianças desde pequenas já perdem a ilusão das histórias de príncipes encantados e da ideia do “felizes para sempre”. Cabe então à indústria se reinventar, algum tempo atrás era difícil imaginar que histórias tão ingênuas como as das princesas se transformariam em sátiras hilárias como a deste filme, aqui a personagem principal não é vista como uma frágil e ingênua mocinha, na verdade ela é bem astuta e violenta, o que deixa a impressão de como a vida tem sido vista pelas crianças de hoje em dia, uma visão romantizada é coisa do passado, princesas hoje em dia, são irônicas, ambiciosas, vaidosas e porque não egoístas? Rapunzel em nova versão mostra muito disso, e tira aquele encanto bucólico das princesas do tempo de nossas avós e mães, resta agora esperar que a doce branca de neve também se rebele, e taque a maçã envenenada na cabeça daquela bruxa escrota.
Têm chegado aos cinemas estes últimos meses uma boa safra de animações, o sucesso nas bilheterias é um reflexo de que o público está se agradando das histórias e desse novo formato digamos mais adulto que os desenhos estão trazendo, até porque você a de convir que, cada vez mais o público de animação tem deixado de ser as crianças para virem a ser os adultos, grandes consumidores deste gênero, não se espante se em breve os seus pais resolverem comemorar bodas na Disney.
FICHA TÉCNICA
Direção: Nathan Greno e Byron Howard
Elenco: Mandy Moore, Zachary Levy e Donna Murphy
Duração: 1 hora e 36 minutos

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A ORIGEM (INCEPTION)

Cobb é um extrator que ganha à vida descobrindo segredos nos sonhos de outras pessoas, para isso ele conta com uma equipe que o ajuda a tornar as armadilhas cada vez mais reais, em um desses trabalhos algo sai errado e ele se vê diante de uma proposta absurda, porém, irrecusável. A ideia de “a origem” é falar sobre a implantação de uma ideia na mente do herdeiro de um grande magnata das indústrias de energia que está prestes a se tornar o único controlador da produção de energia em cerca de metade do planeta, a missão de Cobb e sua equipe é através de vários estágios de sonhos, implantar uma inspiração da mente de Finsher Jr à de dissolver seu império e assim acabar com a ameaça de monopólio das empresas Fincher e com isso terminar seu trabalho para receber sua recompensa, poder voltar para os Estados Unidos e reencontrar seus filhos, que foram separados dele, depois que ele foi acusado de ter assassinado sua mulher. A missão não vai ser nada fácil, para isso ele precisará de uma nova engenheira para que construa os sonhos, um falsificador para simular personagens e um químico para preparar os sedativos, pois serão necessários três estágios de sonhos o que torna tudo bastante instável.

Muita ficção é o que você vai encontra nessa história, alguns pontos são muito bem explicados, curiosidades sobre os sonhos é algo que intriga a humanidade há muito tempo, e a receita é boa, agora, existe uma complexidade exacerbada para se explicar algo que talvez seja mais simples do que o filme tenta passar. Os efeitos visuais são muito bons, a cenografia é um espetáculo a parte e a presença de Marion Cottilard deixa a obra bem mais sedutora. O filme não me encanta em demasia, na verdade parece mais uma aventura que você assiste, fica apreensivo e pronto passou, nada profundo, complexo ou visceral, apenas entretenimento.


Nunca concordei com as indicações que esse filme recebeu, talvez os prêmios técnicos lhe caiam bem, visto que os efeitos são realmente bons, agora, classifica-lo como melhor filme? Acho um pouco de exagero e ingenuidade da academia, falta muita consistência de filme para que este seja eternizado com um Oscar, Leonardo Di Caprio pelo visto não cai nas graças dos membros, mais uma vez ele nem se quer cheira uma indicação, e nem deve mesmo, ele se esforça, mas tá longe de convencer, é um rosto muito bonito e só, na verdade parece que todos os seus personagens são iguais, até mesmo Jack Downson de Titanic! Sentiu o drama?                                                                 

FICHA TÉCNICA

Direção: Christopher Nolan
Elenco: Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe e Joseph Gordon-Levitt

Duração: 2 Horas e 19 Minutos

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O VENCEDOR (THE FIGHTER)

O vencedor narra a história de Micky Ward um lutador de box que vem colecionando fracassos em sua carreira, o rapaz é treinado pelo irmão Dicky, um ex lutador que passa a maior parte do tempo se gabando de seus feitos do passado, mas que na verdade é atualmente um grande fracassado, viciado em crack e outras drogas, vive aprontando e deixando Micky em maus lençóis. Para completar sua empresária é nada menos que sua excêntrica mãe, que explora o rapaz e sempre fica do lado do outro filho. A relação do lutador com a família fica abalada quando Micky conhece Charlene, a rebarbada namorada vive entrando em conflito com eles, dizendo a Micky que a família dele é cheia de déspotas e abusadores, e que ele só conseguirá ser um grande astro da luta quando se desvencilhar deles e ir em busca de um empresário de verdade, confiando nas ideias de Charlene, Micky vai em busca do sucesso, as coisas começam a dar certo, mas, conseguirá o vencedor viver afastado das pessoas que ele sempre amou? Essa é a grande pergunta do filme.
Este filme tem um roteiro legal, simples, nada muito sofisticado, mas, sustenta a trama do começo ao fim, isso eu acho importante em um filme, muitos filmes começam cheios de história e com o passar do tempo vão definhando, outros são monótonos e deixam toda emoção para o final, curto quando aparece um filme que mantém um nível durante toda a trama, isso mostra maturidade, mesmo sem muita ousadia, e o vencedor faz isso muito bem. Já falei várias vezes o que faz de um filme ser o meu preferido ou simplesmente ser considerado por mim um bom filme, é quando ele desperta em mim alguma emoção, esse filme me deixou irado, tem muita injustiça familiar, e não gosto disso! Falta de compreensão e egoísmo, sempre visando o lado do mais fraco, quando na verdade o mais fraco não é tão fraco é apenas desequilibrado e doente, sempre deixando de canto o mocinho que só queria agradar a todos.

Um dos indicados a melhor filme deste ano tem poucas chances de levar a estatueta, não é indispensável, o que o faz cair para uma das últimas posições, minha grande aposta nesse filme é os prêmios de ator e atriz coadjuvante que não seriam nada maus se fossem dados aos atores Melissa Leo e Christian Bale que fazem os papeis de mãe e irmão de Micky respectivamente.  Fora isto, acho que o prêmio maior deste filme que é um vencedor, pois, o diretor levou anos para conseguir financiamento, já que ninguém acreditava que essa história valeria uma produção cinematográfica é o de ser indicado ao Oscar.

FICHA TÉCNICA

Direção: David O. Russel
Elenco: Mark Wahlberg, Christian Bale e Melissa Leo
Duração: 2 Horas e 19 Minutos

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

TOY STORE 3 (TOY STORE 3)

A franquia Toy Store chega ao seu terceiro episódio, dessa vez, os brinquedos vão enfrentar o maior desafio de suas existências, terão que se separar do seu dono “Andy”, o garoto cresceu, e agora, está prestes a ir para a faculdade, um dilema assola os brinquedos, se renderem a tentação de procurar um novo dono, para assim, cumprirem seu propósito de brincar ou irem direto para o Sóton, para ficarem guardados! Enquanto eles tomam essa decisão, algo sai errado e o saco onde “Andy” os guardou vai direto para o lixo. A partir daí começa uma aventura, aonde os brinquedos acabam parando em uma creche que a primeira vista parece o sonho de qualquer um! Local cheio de cores, outros brinquedos e o melhor... Muitas crianças! Só que o paraíso na verdade, é uma prisão! controlada por um brinquedo maluco, que foi rejeitado pelo seu dono, assim como o local, o ursinho parece uma fofura, com cheiro de morango Silvestre, e uma agradável mania de abraçar os convidados. É claro que o leal Woody não descansará enquanto não voltar para o seu dono, e junto com todos os seus amigos, mesmo que a volta imponha uma ida para o Sóton! Para chegar ate seu destino o destemido Cowboy e os inseparáveis brinquedos irão viver uma grande aventura, acredite! Você não conseguirá desgrudar da cadeira, até ver Woody, buzz e todos os seus amigos em total segurança.

Sinto-me meio velho para assistir animações (é uma grande besteira, eu sei!), mas quando as assisto, sempre tento me colocar na mente de uma criança, tipo, eu tenho uma “maturidade” para entender certos sentimentos de “adultos” que esses filmes tentam passar. Com Toy Store 3 não foi diferente! Meu pensamento era, se as crianças que assistem isso, conseguirem entender um 1/3 do que está sendo passado aqui, nossa! Psicólogos, psiquiatras e psicanalistas do futuro... Bye, bye! Não vou economizar elogios, todos sabem o grande negócio que foi para a Disney adquirir os estúdios “PixarAnimationStudios” um gás depois de anos sem produzir algo relevante (o último foi o premiado “O Rei Leão”) desde o primeiro Toy Store em 1995, o sucesso dessa franquia é quase inigualável, e sua última produção passa uma mensagem de companheirismo, amizade, lealdade, valor no que se tem e não nas aparências que impressionam. Além de tudo os diálogos são fantásticos, o projeto artístico de deixar qualquer um maravilhado, e a dança espanhola do buzz? Simplesmente um clássico do cinema moderno! A trilha sonora passa muito dessa mensagem, as letras são carregadas de exaltação a amizade, é um filme terno, sem lascívia ou mensagens dúbias, flerta com a humanidade e mostra algo fundamental no ser humano, representado pelos brinquedos, todos querem se sentir importantes e úteis, muitos acreditam que cada pessoa nasce com um propósito, e esse filme personifica isso em cada um deles.


Toy Store 3 repete a trajetória de seu antecessor “Up: Altas aventuras” indicado ao Oscar de Melhor Filme e também de Melhor animação, impressiona em seu roteiro, a coisa é tão humana e tão bem trabalhada que o limite entre o real e o imaginário se encontra apenas e literalmente nos desenhos. Com certeza é um filme! Como muitos de carne e osso não o são, merece ocupar a posição de indicado ao prêmio máximo do cinema, é carregado de lições, tem muito o que passar as pessoas e principalmente as nossas crianças. Olha, se eu tivesse um filho, com certeza, ele assistiria a esse filme!

FICHA TÉCNICA

Direção: Lee Unkrich
Elenco: Tom Hanks (Woody), Tim allen (Buzz) e Joan Cusack (Jessie)
Duração: 1 Hora e 42 Minutos

domingo, 9 de janeiro de 2011

MINHAS MÃES E MEU PAI (THE KIDS ARE ALL RIGHT)

Quando duas mulheres estão casadas e precisam ter filhos, elas recorrem a um banco de sêmen!É bem esse o início de “Minhas mães e meu pai”, a história de um casal de mulheres Nic(Annette Bening) e Jules (Julianne Moore), que por inseminação resolve ter duas crianças, cada uma delas gerada por uma das mães, quando a filha mais velha (Joni), uma garota tímida e inocente para a sua idade, está prestesa completar 18 anos, pressionada pelo irmão mais novo (Laser), um rapaz sensível, que as mães acreditam ser gay, resolve entrar em contato com a clínica responsável pela doação, a fim de tentar encontrar o suposto pai. Paul (Mark Ruffalo) é um homem esquisito, adepto de alimentos orgânicos e leva uma vida ecologicamente correta, ele é o pai biológico dos garotos, e acaba por receber bem essa mudança que transforma sua pacata vida, o problema é que a partir daí muitos laços começam a serabalados, e à medida que ele tenta uma aproximação com os filhos, tensões vão ficando cada vez mais fortes, e um envolvimento amoroso com uma das mulheres, pode colocar tudo por água abaixo. Resta saber agora se essa diferente e especial família resistira às investidas dos tradicionais conceitos do mundo a sua volta.

Filmes independentes com temáticas GLBT não é mais novidade hoje em dia, a cada ano mais filmes que abordam alguma possível brecha, dentro da delicada relação entre pessoas do mesmo sexo chegam às telas de cinema, resta saber então, o que é valido, e o que deve ser premiado. Se tratando de “Minhas mães e meu pai”o gancho é excelente, realmente é um grande problema para estes casais a maternidade, visto que muitas vezes devem recorrer a terceiros, e como diz aquele velho ditado “dois é bom, três é demais”, o filme não faz questão em levantar bandeiras ou questionar a opção sexual de nenhum dos personagem, a história é centralizada em um problema meio Heterossexual, hipocrisia e controle, as mães criam uma família perfeita e com muitas regras, mas, elas próprias caem em suas proibições, e o Pai está ali digamos para “tentar” expor o que estiver escondido, seja a insegurança da chefe de família, ou a carência que a outra esposa sente. O que poderia ser cômico se torna uma história densa, com bons personagens e excelentes interpretações, só uma observação, talvez o ator que interpreta Paul, esteja apenas fazendo seu papel, mas, se aquilo era encenação, nossa! Foi horrível.Fora isto o filme é alternativo, tendendo a ser comercial, e trabalha bem os dois lados da moeda.    


Temos mais um filme diferenciado concorrendo ao Oscar 2011, este ano a academia resolveu surpreender. Filmes que seriam sucesso em festivais e não passariam disso, foram muito além e chegaram até o tapete vermelho, com o drama da diretora Lisa Cholodenko ("Laurel Canyon -A Rua das Tentações"), está acontecendo isso, o filme está ai para causar barulho, para os mais conservadores, é um chute no... deixa pra lá! Para aqueles que entendem a sensibilidade da sétima arte é um prato cheio, e para os ativistas que levantam tal bandeira, é um orgasmo! Acredito que o filme tenha mais chances de levar o prêmio na categoria melhor atriz, para Annette Bening, no demais é importante estar lá, pois retrata, apesar de não trazer manifestações politicas, de qualquer forma, uma minoria da população, que há tempos anseia ser ouvida e por que não? Vista! "Minhas Mães e meu Pai" ganhou o prêmio Teddy, no Festival de Berlim, em fevereiro - uma estatueta conferida ao melhor longa de temática gay.O filme foi indicado aos prêmios “IndependentSpiritAwards” (prêmio mais importante dado a um filme independente) e “Globo de Ouro” onde, Annette Bening venceu na categoria melhor atriz de comédia ou musical.

FICHA TÉCNICA
Direção: Lisa Cholodenko
Elenco: Annnette Bening, Julianne Moore e Mark Ruffalo.
Duração: 1 Hora e 46 Minutos


127 HORAS (127 HOURS)


Aron Ralstoné um engenheiro, do tipo autossuficiente, que prefere as longas caminhadas e aventuras no Grand Canyon, apassar alguns momentos com sua família, a história do filme começa com ele se preparando para um desses fins de semana, de muito alpinismo e profunda solidão, mas, dessa vez alguma coisa sai errado, e Aron vai viver a pior e mais significativa experiência de sua vida. Antes de tudo acontecer, o rapaz ainda conhece Kristi e Megan, duas amigas, que também estão se aventurando por aquele lugar, os três juntos vão viver alguns momentos de diversão, porém, o extinto do rapaz fala mais alto, e logo ele se despede das garotas e volta a seguir a sua trilha. Uma pedra no meio do caminho faz com que ele derrape e fique com a mão presa,sem ninguém por perto para ajudar, ele em vão começa uma desesperada corrida contra o tempo para deixar aquele lugar, tendo como maior inimiga, a sua própria mente!  Antes que seus suprimentos de comida e bebida se esgotem, ele deve tomar uma decisão para escapar, que será no mínimo dolorosa. 

“127 Horas” é o que se dispõe a ser, uma narrativa da agonia de um homem em sair de uma situação limite, como o próprio diretor Danny Boyle disse, seria muito difícil fazer dessa história um bom filme, se ele mesmo não tivesse alcançado enorme sucesso e prestígio depois de dirigir o fundamental “Quem quer ser um milionário?”. A lição do filme é simples, dê valor àquilo que você tem em abundância! Para o personagem, tudo era muito descartado, seja a água que ele deixa desperdiçando antes de sair para a aventura, que no decorrer da história, será uma grande vilã para sua sobrevivência, ou seja, pelo amor da mãe, que insistentemente liga para ele, mesmo estando a um passo do telefone, não se importa e deixa cair na secretária eletrônica.  Apesar de me sensibilizar e admirar o ato de bravura e coragem do personagem da história (“127 Horas” é baseado em fatos reais), ainda assim não consigo ver dessa história, um filme! Admiro muito a forma como o diretor conduziu as imagens, não há sensacionalismo, e as noticias de que tem gente por aí desmaiando ao ver o filme, francamente! A experiência foi monótona, não entrei na ideia do diretor, que tem a intenção de levar o público a pensar formas de ajudar Aron, confesso que estava mais preocupado em ver ele logo saindo dali, vivo ou morto.


Azarão ou boa direção? Bem, chegar a final do Oscar é sempre digno de elogios, mais uma vez Danny Boyle está aqui, depois do estrondoso sucesso de seu último “longa”, ele vem com algo bem diferente daquilo que o consagrou, chega a ser mais alternativo, uma sensibilização mais refinada e menos popular. James Franco concorrendo como melhor ator, pode ter como maior premiação aquela que já ganhou: apresentar o prêmio! É um bom ator, convence e diverte mais quando é cômico e irônico, do que na hora de dramatizar. Como melhor filme, não é um dos principais concorrentes, pode surpreender claro! Mas, não creio que vá superar produções bem mais preferidas. Algumas curiosidades sobre a história: (Aviso! Contém spoiles!)Primeiro filme dirigido por Danny Boyle (Trainspotting) após o Oscar vencido por 'Quem Quer Ser um Milionário?' (2008); Na vida real Aron levou 44 minutos para cortar o braço;Boyle trabalhou com a mesma equipe de 'Quem Quer Ser um Milionário?'. Christian Colson produz, enquanto Simon Beaufoy fica responsável pelo roteiro; James Franco foi escolhido para o papel devido a sua capacidade em ser dramático e ao mesmo tempo ser um palhaço e brincar (eu discordo!); O alpinista ficou preso 127 Horas.


FICHA TÉCNICA

Direção:Danny Boyle
Elenco: James Franco, Kate Mara e Amber Tamblyn.
Duração: 1 hora e 32 minutos