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sábado, 24 de setembro de 2011

Xógum: A gloriosa saga do Japão

A cultura japonesa sempre despertou grande interesse no mundo ocidental, seja por causa da sua gastronomia exótica, seus costumes incomuns ou sua religião milenar, todas essas e outras coisas fazem com que qualquer pessoa sinta vontade de desvendar um pouco os segredos e mistérios deste povo, que é responsável por sofisticadas tecnologias, utilizadas hoje no mundo contemporâneo. Por muito tempo a história do Japão ficou isolada das grandes transformações que ocorriam no mundo, detentor de uma forte cultura ancestral, os japonesas não viam motivo algum mudar sua forma de viver, simplesmente com a justificativa de progresso europeu, na verdade o que estava por trás desse progresso, eram as ambições de mercadores capitalistas, que tinham o objetivo de conquistar novas terras, abrir novos mercados nas áreas mais remotas do planeta, é dentro do contexto histórico das grandes navegações, a corrida em busca de um caminho marítimo para as Índias e a contra cultural ocidental impostas pelo Japoneses que a história de “Xógum – A gloriosa saga do Japão” o livro de James Clavell com mais de 5 milhões de Cópias vendidas tem sua  narrativa desenvolvida, quem ler este livro deve estar preparado para não simplesmente ler sobre o Japão medieval, mas, respirar, transpirar e beber da história e da cultura de um pais tão rico e glorioso, que nem as investidas de povos mal intencionados foram capazes de destruir ou anular.

John Blacktorne é um piloto que por motivos de tempo ruim acaba sofrendo um acidente com seu barco e vai parar em uma remota ilha, lá diante de cidadãos que ele nunca tinha visto antes, vai ser aprisionado junto com sua tripulação, vai presenciar os horrores de um povo que não tem medo da morte, pelo contrário, vê nela a libertação de sua alma. Logo de cara se percebe que o Anjim-san, nome dado a Blacktorne pelos nativos, é um homem diferenciado, não é igual aos outros marinheiros, a partir desse entendimento e de uma grande jogada de sorte, o piloto adentra a cultura, conhece pessoas, vira braço direito de um importante conselheiro e acaba claro se apaixonando, um amor proibido, que poderá ser a perdição ou a libertação deste homem. O livro é ambientado no século XV (1600) época das grandes navegações, onde no Japão a organização econômica e social era regida pelo modelo feudal, o grande senhor que regia era chamado de Táicum, mas esse, no inicio do livro já havia falecido, dexou um filho, o herdeiro, que ainda não tinha idade para governar, dessa formar, existia um conselho, composto por importantes senhores, estes eram os responsáveis por legislar, a história gira entorno de conspirações e intrigas, pois um dos senhores, tem a intenção de se Xógum, o que violaria a sucessão do herdeiro, Xógum era um outro cargo de poder da época, que usurpava o trono a quem lhe era de direito e tomava para si todos os poderes.

Fenomenal, é isto que posso dizer desse livro, uma viagem, um mergulho sobre a história de um país tão peculiar, James Clavell brinca com as palavras, o livro possui mais mil páginas e nem parece, parece mais um livro de bolso, irresistível, escrito de uma forma que o leitor pode passear pelas inúmeras informações, não dá para querer conhecer o Japão sem antes ler este livro, cada parte da cultura é memorável, aprender sobre a cerimonia do chá, a importância deste ritual para estabelecer o equilíbrio de cada ser humano, e o que dizer da cerca óctupla? Um espetáculo, uma explicação completa sobre todas as dúvidas que nós ocidentais poderíamos ter sobre como um japonês consegue resistir a costumes tão severos e castigos tão cruéis. Corra e leia “Xógum – a gloriosa saga do Japão” eu duvido se ao terminar de ler você não ficará maravilhado com esse país que é rico e diverso, singular em tantas formas de viver. Até onde a ambição de um homem, a manipulação de um povo, o sacrifício por fé pode levar o ser humano, esse livro mostra alguns limites, será que você não conseguirá se identificar com personagens tão longínquos no tempo e no espaço, eu não acredito.

sábado, 17 de setembro de 2011

Uma Esperança de Paz

“Uma Esperança de Paz” não é um romance, pelo menos, não um romance como nós o conhecemos, não há beijos apaixonados, nem uma versão oriental de Romeu e Julieta, nada disso, trata-se de uma amizade extremamente forte, tão forte que foi capaz de resistir ao tempo e as guerras entre as nações de Israel e a Palestina, o livro conta duas histórias simultaneamente, a de Bashir, um garoto Árabe que viveu no período em que os árabes eram expulsos de suas casas, as quais se transformavam em lar para os Israelitas recém refugiadas da 2° Guerra Mundial, e Dália, uma jovem Israelita que viveu a experiência de ser uma estranha em sua própria terra. A vida desses dois jovens se cruza no exato momento em que Bashir junto à dois amigos resolvem fazer uma viagem para visitar o lugar no qual um dia eles moraram, mesmo com o medo de serem pegos pela segurança de Israel e serem classificados como terroristas, os jovens se aventuram e vão até as três casas que foram pertencentes as suas respectivas famílias, o primeiro dos jovens não é recebido Bem pelos novos donos, e batem com a porta em seu rosto, o segundo descobre que sua antiga casa virou uma escola, já Bashir é recebido gentilmente por Dália, ao qual lhes convida para entrar, esse simples gesto desencadeia um exemplo de tolerância e de diálogo que dura 40 anos, uma grande amizade, a pouca esperança de paz entre as duas nações.

Este livro marca uma fase muito importante na minha vida, quis coloca-lo aqui como sendo o primeiro na minha série de análises sobre literatura, pois, ele traça um período de crescimento com relação aquilo que eu lia e o que estava começando a ler, sempre li livros de autores renomados, Voltaire, Maquiavel, Machado de Assis, Guimarães Rosa e etc. porem acabava lendo os mais por serem famosos e achar que eram importantes para minha formação, ainda não tinha a noção do quanto eram singulares e seu conteúdo das entrelinhas fantástico, mas, foi com “Uma Esperança de Paz” de Sandy Tolan, que comecei a ler livros de forma mais crítica, não mais uma corrida até o final, e sim, uma forma de refletir os problemas da sociedade global, sempre me perguntei, como chegar a um consenso quando dois povos querem a mesma coisa? Quando a satisfação de um é a insatisfação do outro, no caso da briga entre Israel e os Árabes não podemos desconsiderar uma série de fatores, para que lado pesa mais a gangorra? Quem tem os direitos? Passei a minha infância toda acreditando que os israelitas mereciam o lugar onde moravam, que era deles por direito santo, quando você cresce em uma religião cristã, aprende sempre a olhar para a nação Árabe como um povo mal criado, rebelde, que passa a vida lutando por uma causa perdida. É essa a desmitificação que o autor pretende neste livro, essa obra não trata de vilões e mocinhos, não acusa Israel de serem usurpadores de Terra e muito menos põe os árabes em condição de vilões.

O livro basei-se na amizade que surge entre os dois jovens, as diferenças sociais entre eles, os caminhos que cada um traçou para chegar até ali, mas, se engana quem pensa que a história é baseada na juventude de Dália e Bashir, aquilo é só uma prévia, o livro perpassa por vários momentos da vida deles, as guerras que ainda serão travadas, os movimentos de resistência que irão afastá-los fisicamente, as diferenças ideológicas, as necessidades partidárias, o autor vai mostrando como é inevitável nessa história se manter de um lado, não há como defender o consenso, são sempre duas famílias para um mesmo pedaço de terra, sempre duas histórias que jamais poderiam ocupar o mesmo espaço. Apesar de tantas dificuldades e vontades contrárias, Bashir e Dália se mantêm amigos, interessados um no outro, os dois casam, constituem famílias seguem suas vidas, mas, sempre lembram com carinho do outro, vivem na linha de fogo, sempre olhando com olhar terno para o terreno ao lado. O final dessa amizade gera um lindo fruto, uma esperança, um espaço de diálogo entre Árabes e Judeus, provando que apesar do caos, é possível um consenso.