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segunda-feira, 7 de março de 2011

ENROLADOS (TANGLED)

Enrolados é o que podemos chamar de paráfrase do conto de fadas Rapunzel, o novo formato dos estúdios Walt Disney que tem remixado algumas de suas obras clássicas desde o bem sucedido “deu a louca na chapeuzinho” até o fracassado “deu a louca na cinderela”. Este novo filme conta de forma cômica e nada romântica a história da princesa que foi aprisionada em uma torre por uma bruxa que queria utilizar os poderes de seus cabelos dourados em benefício próprio, no lugar do príncipe, o salvador da princesa é um ladrão, atrapalhado e trapaceiro que por acidente descobre a torre onde Rapunzel vive, e para fugir dos guardas tenta se esconder por lá, a garota assustada o faz refém, e logo depois, arquiteta um plano, para sair da torre e conhecer o mundo a sua volta ela será capaz de encarar uma grande aventura. 

Histórias de princesa e castelos até hoje conseguem encantar certa fatia do público, mas uma grande parcela dele não tem mostrado grande interesse pelos contos de fadas, nossas crianças desde pequenas já perdem a ilusão das histórias de príncipes encantados e da ideia do “felizes para sempre”. Cabe então à indústria se reinventar, algum tempo atrás era difícil imaginar que histórias tão ingênuas como as das princesas se transformariam em sátiras hilárias como a deste filme, aqui a personagem principal não é vista como uma frágil e ingênua mocinha, na verdade ela é bem astuta e violenta, o que deixa a impressão de como a vida tem sido vista pelas crianças de hoje em dia, uma visão romantizada é coisa do passado, princesas hoje em dia, são irônicas, ambiciosas, vaidosas e porque não egoístas? Rapunzel em nova versão mostra muito disso, e tira aquele encanto bucólico das princesas do tempo de nossas avós e mães, resta agora esperar que a doce branca de neve também se rebele, e taque a maçã envenenada na cabeça daquela bruxa escrota.
Têm chegado aos cinemas estes últimos meses uma boa safra de animações, o sucesso nas bilheterias é um reflexo de que o público está se agradando das histórias e desse novo formato digamos mais adulto que os desenhos estão trazendo, até porque você a de convir que, cada vez mais o público de animação tem deixado de ser as crianças para virem a ser os adultos, grandes consumidores deste gênero, não se espante se em breve os seus pais resolverem comemorar bodas na Disney.
FICHA TÉCNICA
Direção: Nathan Greno e Byron Howard
Elenco: Mandy Moore, Zachary Levy e Donna Murphy
Duração: 1 hora e 36 minutos

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A ORIGEM (INCEPTION)

Cobb é um extrator que ganha à vida descobrindo segredos nos sonhos de outras pessoas, para isso ele conta com uma equipe que o ajuda a tornar as armadilhas cada vez mais reais, em um desses trabalhos algo sai errado e ele se vê diante de uma proposta absurda, porém, irrecusável. A ideia de “a origem” é falar sobre a implantação de uma ideia na mente do herdeiro de um grande magnata das indústrias de energia que está prestes a se tornar o único controlador da produção de energia em cerca de metade do planeta, a missão de Cobb e sua equipe é através de vários estágios de sonhos, implantar uma inspiração da mente de Finsher Jr à de dissolver seu império e assim acabar com a ameaça de monopólio das empresas Fincher e com isso terminar seu trabalho para receber sua recompensa, poder voltar para os Estados Unidos e reencontrar seus filhos, que foram separados dele, depois que ele foi acusado de ter assassinado sua mulher. A missão não vai ser nada fácil, para isso ele precisará de uma nova engenheira para que construa os sonhos, um falsificador para simular personagens e um químico para preparar os sedativos, pois serão necessários três estágios de sonhos o que torna tudo bastante instável.

Muita ficção é o que você vai encontra nessa história, alguns pontos são muito bem explicados, curiosidades sobre os sonhos é algo que intriga a humanidade há muito tempo, e a receita é boa, agora, existe uma complexidade exacerbada para se explicar algo que talvez seja mais simples do que o filme tenta passar. Os efeitos visuais são muito bons, a cenografia é um espetáculo a parte e a presença de Marion Cottilard deixa a obra bem mais sedutora. O filme não me encanta em demasia, na verdade parece mais uma aventura que você assiste, fica apreensivo e pronto passou, nada profundo, complexo ou visceral, apenas entretenimento.


Nunca concordei com as indicações que esse filme recebeu, talvez os prêmios técnicos lhe caiam bem, visto que os efeitos são realmente bons, agora, classifica-lo como melhor filme? Acho um pouco de exagero e ingenuidade da academia, falta muita consistência de filme para que este seja eternizado com um Oscar, Leonardo Di Caprio pelo visto não cai nas graças dos membros, mais uma vez ele nem se quer cheira uma indicação, e nem deve mesmo, ele se esforça, mas tá longe de convencer, é um rosto muito bonito e só, na verdade parece que todos os seus personagens são iguais, até mesmo Jack Downson de Titanic! Sentiu o drama?                                                                 

FICHA TÉCNICA

Direção: Christopher Nolan
Elenco: Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe e Joseph Gordon-Levitt

Duração: 2 Horas e 19 Minutos

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O VENCEDOR (THE FIGHTER)

O vencedor narra a história de Micky Ward um lutador de box que vem colecionando fracassos em sua carreira, o rapaz é treinado pelo irmão Dicky, um ex lutador que passa a maior parte do tempo se gabando de seus feitos do passado, mas que na verdade é atualmente um grande fracassado, viciado em crack e outras drogas, vive aprontando e deixando Micky em maus lençóis. Para completar sua empresária é nada menos que sua excêntrica mãe, que explora o rapaz e sempre fica do lado do outro filho. A relação do lutador com a família fica abalada quando Micky conhece Charlene, a rebarbada namorada vive entrando em conflito com eles, dizendo a Micky que a família dele é cheia de déspotas e abusadores, e que ele só conseguirá ser um grande astro da luta quando se desvencilhar deles e ir em busca de um empresário de verdade, confiando nas ideias de Charlene, Micky vai em busca do sucesso, as coisas começam a dar certo, mas, conseguirá o vencedor viver afastado das pessoas que ele sempre amou? Essa é a grande pergunta do filme.
Este filme tem um roteiro legal, simples, nada muito sofisticado, mas, sustenta a trama do começo ao fim, isso eu acho importante em um filme, muitos filmes começam cheios de história e com o passar do tempo vão definhando, outros são monótonos e deixam toda emoção para o final, curto quando aparece um filme que mantém um nível durante toda a trama, isso mostra maturidade, mesmo sem muita ousadia, e o vencedor faz isso muito bem. Já falei várias vezes o que faz de um filme ser o meu preferido ou simplesmente ser considerado por mim um bom filme, é quando ele desperta em mim alguma emoção, esse filme me deixou irado, tem muita injustiça familiar, e não gosto disso! Falta de compreensão e egoísmo, sempre visando o lado do mais fraco, quando na verdade o mais fraco não é tão fraco é apenas desequilibrado e doente, sempre deixando de canto o mocinho que só queria agradar a todos.

Um dos indicados a melhor filme deste ano tem poucas chances de levar a estatueta, não é indispensável, o que o faz cair para uma das últimas posições, minha grande aposta nesse filme é os prêmios de ator e atriz coadjuvante que não seriam nada maus se fossem dados aos atores Melissa Leo e Christian Bale que fazem os papeis de mãe e irmão de Micky respectivamente.  Fora isto, acho que o prêmio maior deste filme que é um vencedor, pois, o diretor levou anos para conseguir financiamento, já que ninguém acreditava que essa história valeria uma produção cinematográfica é o de ser indicado ao Oscar.

FICHA TÉCNICA

Direção: David O. Russel
Elenco: Mark Wahlberg, Christian Bale e Melissa Leo
Duração: 2 Horas e 19 Minutos

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

TOY STORE 3 (TOY STORE 3)

A franquia Toy Store chega ao seu terceiro episódio, dessa vez, os brinquedos vão enfrentar o maior desafio de suas existências, terão que se separar do seu dono “Andy”, o garoto cresceu, e agora, está prestes a ir para a faculdade, um dilema assola os brinquedos, se renderem a tentação de procurar um novo dono, para assim, cumprirem seu propósito de brincar ou irem direto para o Sóton, para ficarem guardados! Enquanto eles tomam essa decisão, algo sai errado e o saco onde “Andy” os guardou vai direto para o lixo. A partir daí começa uma aventura, aonde os brinquedos acabam parando em uma creche que a primeira vista parece o sonho de qualquer um! Local cheio de cores, outros brinquedos e o melhor... Muitas crianças! Só que o paraíso na verdade, é uma prisão! controlada por um brinquedo maluco, que foi rejeitado pelo seu dono, assim como o local, o ursinho parece uma fofura, com cheiro de morango Silvestre, e uma agradável mania de abraçar os convidados. É claro que o leal Woody não descansará enquanto não voltar para o seu dono, e junto com todos os seus amigos, mesmo que a volta imponha uma ida para o Sóton! Para chegar ate seu destino o destemido Cowboy e os inseparáveis brinquedos irão viver uma grande aventura, acredite! Você não conseguirá desgrudar da cadeira, até ver Woody, buzz e todos os seus amigos em total segurança.

Sinto-me meio velho para assistir animações (é uma grande besteira, eu sei!), mas quando as assisto, sempre tento me colocar na mente de uma criança, tipo, eu tenho uma “maturidade” para entender certos sentimentos de “adultos” que esses filmes tentam passar. Com Toy Store 3 não foi diferente! Meu pensamento era, se as crianças que assistem isso, conseguirem entender um 1/3 do que está sendo passado aqui, nossa! Psicólogos, psiquiatras e psicanalistas do futuro... Bye, bye! Não vou economizar elogios, todos sabem o grande negócio que foi para a Disney adquirir os estúdios “PixarAnimationStudios” um gás depois de anos sem produzir algo relevante (o último foi o premiado “O Rei Leão”) desde o primeiro Toy Store em 1995, o sucesso dessa franquia é quase inigualável, e sua última produção passa uma mensagem de companheirismo, amizade, lealdade, valor no que se tem e não nas aparências que impressionam. Além de tudo os diálogos são fantásticos, o projeto artístico de deixar qualquer um maravilhado, e a dança espanhola do buzz? Simplesmente um clássico do cinema moderno! A trilha sonora passa muito dessa mensagem, as letras são carregadas de exaltação a amizade, é um filme terno, sem lascívia ou mensagens dúbias, flerta com a humanidade e mostra algo fundamental no ser humano, representado pelos brinquedos, todos querem se sentir importantes e úteis, muitos acreditam que cada pessoa nasce com um propósito, e esse filme personifica isso em cada um deles.


Toy Store 3 repete a trajetória de seu antecessor “Up: Altas aventuras” indicado ao Oscar de Melhor Filme e também de Melhor animação, impressiona em seu roteiro, a coisa é tão humana e tão bem trabalhada que o limite entre o real e o imaginário se encontra apenas e literalmente nos desenhos. Com certeza é um filme! Como muitos de carne e osso não o são, merece ocupar a posição de indicado ao prêmio máximo do cinema, é carregado de lições, tem muito o que passar as pessoas e principalmente as nossas crianças. Olha, se eu tivesse um filho, com certeza, ele assistiria a esse filme!

FICHA TÉCNICA

Direção: Lee Unkrich
Elenco: Tom Hanks (Woody), Tim allen (Buzz) e Joan Cusack (Jessie)
Duração: 1 Hora e 42 Minutos

domingo, 9 de janeiro de 2011

MINHAS MÃES E MEU PAI (THE KIDS ARE ALL RIGHT)

Quando duas mulheres estão casadas e precisam ter filhos, elas recorrem a um banco de sêmen!É bem esse o início de “Minhas mães e meu pai”, a história de um casal de mulheres Nic(Annette Bening) e Jules (Julianne Moore), que por inseminação resolve ter duas crianças, cada uma delas gerada por uma das mães, quando a filha mais velha (Joni), uma garota tímida e inocente para a sua idade, está prestesa completar 18 anos, pressionada pelo irmão mais novo (Laser), um rapaz sensível, que as mães acreditam ser gay, resolve entrar em contato com a clínica responsável pela doação, a fim de tentar encontrar o suposto pai. Paul (Mark Ruffalo) é um homem esquisito, adepto de alimentos orgânicos e leva uma vida ecologicamente correta, ele é o pai biológico dos garotos, e acaba por receber bem essa mudança que transforma sua pacata vida, o problema é que a partir daí muitos laços começam a serabalados, e à medida que ele tenta uma aproximação com os filhos, tensões vão ficando cada vez mais fortes, e um envolvimento amoroso com uma das mulheres, pode colocar tudo por água abaixo. Resta saber agora se essa diferente e especial família resistira às investidas dos tradicionais conceitos do mundo a sua volta.

Filmes independentes com temáticas GLBT não é mais novidade hoje em dia, a cada ano mais filmes que abordam alguma possível brecha, dentro da delicada relação entre pessoas do mesmo sexo chegam às telas de cinema, resta saber então, o que é valido, e o que deve ser premiado. Se tratando de “Minhas mães e meu pai”o gancho é excelente, realmente é um grande problema para estes casais a maternidade, visto que muitas vezes devem recorrer a terceiros, e como diz aquele velho ditado “dois é bom, três é demais”, o filme não faz questão em levantar bandeiras ou questionar a opção sexual de nenhum dos personagem, a história é centralizada em um problema meio Heterossexual, hipocrisia e controle, as mães criam uma família perfeita e com muitas regras, mas, elas próprias caem em suas proibições, e o Pai está ali digamos para “tentar” expor o que estiver escondido, seja a insegurança da chefe de família, ou a carência que a outra esposa sente. O que poderia ser cômico se torna uma história densa, com bons personagens e excelentes interpretações, só uma observação, talvez o ator que interpreta Paul, esteja apenas fazendo seu papel, mas, se aquilo era encenação, nossa! Foi horrível.Fora isto o filme é alternativo, tendendo a ser comercial, e trabalha bem os dois lados da moeda.    


Temos mais um filme diferenciado concorrendo ao Oscar 2011, este ano a academia resolveu surpreender. Filmes que seriam sucesso em festivais e não passariam disso, foram muito além e chegaram até o tapete vermelho, com o drama da diretora Lisa Cholodenko ("Laurel Canyon -A Rua das Tentações"), está acontecendo isso, o filme está ai para causar barulho, para os mais conservadores, é um chute no... deixa pra lá! Para aqueles que entendem a sensibilidade da sétima arte é um prato cheio, e para os ativistas que levantam tal bandeira, é um orgasmo! Acredito que o filme tenha mais chances de levar o prêmio na categoria melhor atriz, para Annette Bening, no demais é importante estar lá, pois retrata, apesar de não trazer manifestações politicas, de qualquer forma, uma minoria da população, que há tempos anseia ser ouvida e por que não? Vista! "Minhas Mães e meu Pai" ganhou o prêmio Teddy, no Festival de Berlim, em fevereiro - uma estatueta conferida ao melhor longa de temática gay.O filme foi indicado aos prêmios “IndependentSpiritAwards” (prêmio mais importante dado a um filme independente) e “Globo de Ouro” onde, Annette Bening venceu na categoria melhor atriz de comédia ou musical.

FICHA TÉCNICA
Direção: Lisa Cholodenko
Elenco: Annnette Bening, Julianne Moore e Mark Ruffalo.
Duração: 1 Hora e 46 Minutos